Eu orgulho-me de poder dizer que assisti a uma revolução tecnológica. Em muitos sentidos.
É como esta
imagem que corre pela internet sobre a cassete e o lápis. Foram várias as cassetes que gravei a partir do rádio. Lembro-me do meu Walkman, acho que não durou muito tempo nas minhas mãos. Eu ainda era novo. Depois apareceram os Diskmans, tinha de andar com todo o cuidado porque ao mais pequeno abanão a música arranhava. Quando gravei o meu primeiro cd mp3, aquilo era o meu iPod da altura. Lembro-me de deitar-me no banco de trás do carro dos meus pais e ouvir músicas como
esta e
esta, nada comparadas com as músicas do Teló é claro.
Das vezes que tive de abrir o meu leitor de VHD para limpa-lo de maneira a ler melhor as cassetes VHD. De ter de puxar a cassete para trás depois de a ter visto. E televisões, lembro-me bem da televisão que os meus pais tinham no quarto deles, era daquelas só com 9 canais e tinha de usar uma peça de plástico para poder rodar uma cena por canal para poder sintoniza-lo. Agora ninguém se tem de dar a este trabalho porque as boxes já os fazem.
Lembro-me dos primeiros telemóveis que vi, estava eu na primária. Foi numa viagem de estudo, a professora tinha um telemóvel enorme e os pais ligavam para ela para saber a que horas chegávamos. O meu primeiro telemóvel, o primeiro de muita gente, o grande 3310, grande de qualidade. Andar a trocar "imagens" com os amigos através de infravermelhos. Aquela fase de andar a dar toques a todos os amigos, e de trocar uns mil toques com a rapariga que nos interessava, porque as mensagens pagavam-se. Na altura falava-se que um dia ia ser possível fazer chamadas de vídeo, coisa que achava brutal! Mais tarde, o aparecimento dos toques polifónicos, fase de loucura total, toda a gente queria ter as suas músicas favoritas nos telemóveis, foi através de um toque que eu fiquei a conhecer e a venerar os System of a Down, a música era a Chop Suey. Depois apareceram os telemóveis a cores, eu tive um Nokia, um que tinha umas luzes laranjas de lado, nunca gostei dele mas foi oferecido. Sonhava com um, se não me engano um Samsung, era um daqueles de abrir e tinha ecrã do lado de fora e de dentro, ambos a cores! Por fim, o aparecimento dos telemóveis com câmara, um
Nokia que mais parecia um tijolo.
Não sei o que aconteceu ao meu 3310, se o tivesse, era bem capaz de usar agora visto ter estragado o meu telemóvel. Agora os telemóveis dão para tudo, até para fazer chamadas! O que é bom claro, mas só é possível dar valor a isto relembrando outra fases.
Eu passei toda aquela fase do messenger, grandes conversas passadas por lá, mais tarde até foi possível fazer chamadas de vídeo, wow! Era um mundo todo a aparecer. Antes de mim ainda existiram pessoas que andavam pelo mIRC até o aparecimento do msn. E o hi5, quem é que não teve conta no hi5? Agora o facebook dá para tudo e mais alguma coisa.
Jogos, não há nada que não seja possível nos jogos de hoje. Mas por melhor que sejam, já não marcam, jogam-se hoje e amanhã já estão esquecidos. Eu joguei na minha Super Nintendo grandes jogos do Mário. Mais tarde na Mega-Drive jogos do Sonic. Até que tive a minha Playstation. Daí até hoje, joguei jogos que marcam qualquer pessoa.
E os computadores, alguns Gbs de memória, poucos Mbs de ram, internet muito lenta. Lembro-me de conseguir sacar uma música por aula, no fim tinha que dar valor à música. Andava sempre com umas quantas disquetes na mochila para transportar trabalhos. Tive a minha primeira pen de 124Mb ganhando um concurso de programação na minha escola, 124 Mbs.. nem um episódio de uma série cabe!
Por melhor que tudo seja hoje, o facilitismo faz com que não se dê valor a nada. Hoje tudo é fácil, antigamente existiam rituais para quase tudo, o que tornava tudo mais importante.
E eu ainda sou um rapaz novo, tenho a certeza que existe pessoas que viram bem mais que eu. Mas tenho pena dos adolescentes de agora, estão numa fase em que tudo é dado, tudo é fácil.
E tu, lembraste disto tudo?