terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Tema que já cansa: praxes

Estou farto das conversas sobre praxes, estou farto que pessoas que nunca sequer tentaram entrar numa, tentaram perceber o objectivo na mesma e, principalmente, sentir na pele os resultados, venham para a praça pública opinar como se fossem super conhecedores da matéria.
Este último caso foi mau, de certeza que não foi propositado, de certeza que ninguém estava lá obrigado. Mas como se sabe, acidentes acontecem todos os dias em todos os assuntos. Existem acidentes a andar de carro e não por isso fala-se que andar de carro é mau, existem acidentes de trabalho e não é por isso que alguém tem culpa, lá está, são acidentes.

Extremos são maus, extremos são maus em tudo, é necessário moderação e pensar nos actos, é preciso ser-se responsável. Mas lá está, isto são requisitos em tudo, não só nas praxes. Como em qualquer sítio, função, posição, existem más pessoas, existem pessoas que abusam, existem pessoas que não se controlam e essas pessoas são sempre as que marcam pela negativa, as más noticias viajam bem mais rapidamente que as boas.

Por cada situação má criada em praxes existem milhares de boas. 

Todos os anos existem adolescentes de dezassete/dezoito anos que nunca viveram fora do abrigo e conforto dos pais a irem viver sozinhos ou com estranhos, muitas vezes para cidades que mal conhecem, é inevitável que se sintam nervosos e com medo. Olhando para casos que vi no meu curso, muitos dos alunos eram nerds, geeks, alunos que de certeza que passaram o segundo, terceiro ciclo e secundário sobre constante bullying, alunos que até a data podiam contar pelos dedos de uma mão o número de amigos que tinham. As praxes todos os anos juntam esses alunos, faz com que olhem uns para os outros como iguais, na praxe não há melhores e piores, passam todos pelo mesmo, na praxe unem-se e ajudam-se uns aos outros.
Sempre que alguém precisa de alguma coisa tem um grupo de dezenas/centenas de pessoas a quem pedir ajuda e de certeza que será ajudado. 

Muitos dos alunos que poucos amigos tiveram antes de entrar numa praxe, saem da faculdade com amigos para a vida! Mas estas partes só percebe, só sabe, só sente quem realmente passou pela praxe. 

15 comentários:

Rui Pi disse...

Ora nem mais. O pessoal anda todo a opinar sem saber do que fala e, ainda por cima, se revolta com quem defende. Ainda outro dia me disseram que eu andava muito enervado com este enegrecimento das praxes. Eu disse que, se as pessoas andassem minimamente atentas, veriam que eu defendo a causa "praxes" da mesma maneira que defendo outras causas. Esta apenas é mais mediática.

Eu entrei para a universidade a pensar "não me venham de lá com a m*rda das praxes que à mínima coisa eu mando-os a todos dar uma volta". Conclusão: das maiores chatices que tive na universidade foi para fazer com que a praxe se cumprisse bem e ainda hoje há quem não me conheça por outro nome que não a alcunha que me ficou do primeiro ano.

Anónimo disse...

Fui praxada...Odiei! Não por abusos mas porque era uma grande seca! Mas tenho muitos amigos que adoraram e compreendo perfeitamente. É a criação de uma união com objectivos comuns. Tudo depende de tudo...Aquilo que aconteceu podia ter acontecido em qualquer situação e concordo que este caso é alvo de critica exagerada (circo midiático) e está a transformar-se numa bola de neve. Mas acho que existir um controlo maior ou organismos responsáveis para as praxes (para além daquele conselho de veteranos (também não percebo muito disto)) não era mau, pelo menos para casos de abuso. Organismos exteriores por vezes são menos tendenciosos e se calhar ajudava a resolver alguma coisa. Acho que isto vai passar mais depressa do que imaginamos...

AC disse...

Pessoalmente não gosto da praxe, nunca praxei e nunca deixei que me praxassem. No meu curso era da dita praxe passear pela rua com penicos na cabeça e arrastadeiras e urinóis na mão, não faz mal a ninguém e muitos alinharam na brincadeira mas eu achei que era humilhante passear-me pela baixa de penico enfiado na tola... são coisas.

faa m. disse...

@Rui Pi
o senhor Pi tem razão, pode defender as praxes à vontade, o mal é que quem as ataca anda demasiado cego e não consegue mesmo ver os benefícios da mesma.

@Anónimo
sim, também nem toda a gente é obrigado a gostar de praxes, percebo perfeitamente isso.
mas é difícil controlar grandes grupos de adolescentes com a pica toda.. é como pedir aos pais para saberem tudo que os filhos fazem, é impossível.

@AC
mas se calhar no carnaval já eras capaz de achar isso tolerável.
só é humilhante para ti mesmo se não te conseguires libertar dessas ideias. por exemplo, eu já fui ao mcdonalds às quatro da tarde de pijama em plena Boavista no Porto. para muitas pessoas isto pode ser humilhante, para mim e para os meus amigos foi de rir, diversão a 100%.. até nos perguntaram se foi praxe, não, foi simplesmente vontade fazer algo diferente.

Penmumbra disse...

Eu sinceramente, estou-me a aborrecer com este tema todo. O que aconteceu vai ser julgado em tribunal, acerca da praia do Meco, e na UM pelos superiores da universidade, como casos que são. Foram situações dentro ou fora, a responsabilidade é dos intervenientes, ponto final.
Porque a minha indignação? Simples, estou em risco de não ter bolsa, conheço pessoal aos montes que perdeu bolsa e teve de desistir do curso, conheço pessoal que até fome chega as vezes a passar para continuar a estudar... E ninguém faz um filme do caraxas com isso! Porque, foda-se, sim esses é que são os reais problemas da universidade! O número cada vez menor de quem entre, cada vez mais são os que têm de desistir. a falta de controlo de qualidade dos cursos, o excesso de desigualdades cada vez mais constante.
Desisti da praxe à 2 semana, para mim foi pior, estava-me a ajudar a deprimir +, não sou contra, sou contra certas praticas e faltas que, sei que na idealização não existe, mas na realidade chegam a existir, sim, porque há alminhas que vão para lá sentirem-se grandes. Tal como há controlo nas estradas, no local de trabalho, etc.., tambem devia haver nas praxes, garantir que as coisas são prejudicam ninguem. (Ai é que as faculdades perderam todo o controlo a virarem anti-praxes -.-)
Outro coisa, retirem certos "dogmas" da praxe, traje é académico, não praxistico, toda a gente pode cartolar, toda a gente vai ter acesso aos documentos e sebentas seja ou não de praxe. etc.. São meios "sujos" que fazem para obrigar a tentar manter caloiros em praxe.
De resto, só me parece filme para abafar o resto das merdas...
E é bom dares sinais de vida!
Peace! xD

Lia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lia disse...

Eu já me cansei de ler e opinar sobre este assunto em particular, mas venho só colocar uma questão: com tanto exemplo de acidentes, será que comparar com acidentes de carro, que acontecem na sua grande maioria por causas humanas de toda a especie e para os quais há tanta "publicidade de prevenção", é sensato? ;)

Ana D. disse...

Dos textos mais diretos e assertivos que li em relação a este assunto.

Eu alinhei em todas as praxes, não foram exageradas, não me magoaram nem fisica nem psicologicamente. Foi o melhor ano que passei na minha faculdade.

É preciso combater quem leva estas atividades aos extremos e não falar das praxes como algo que devia ser proibido

Namorado P.S. disse...

Não concordo com o menino. Acho desnecessário :P

faa m. disse...

@Penmumbra
lá está, cada um faz o que quer da sua vida e ninguém tem nada a ver com isso..
e tal e qual, ninguém fala dos reais problemas :s
sim, o traje pode ser usado por qualquer pessoa, tal como as fitas e a cartola e por aí fora :)

@Lia
claro que é, se o problema das praxes são os acidentes e danos fisícos, pode ser comparado com tudo o que causa acidentes e danos fisícos.

@Ana D.
obrigado :)
qualquer actividade levada ao extremo pode ser má.

@Namorado P.S.
ahah, não podes concordar com toda a gente :P

Rui Pi disse...

@ Namorado P.S.: Acho que aqui ninguém disse que era necessário. A praxe não é vital, nem essencial. Concordar/ser a favor/gostar da praxe não quer dizer que a pessoa a ache necessária.

Namorado P.S. disse...

Então se não é necessária, ou não tem necessidade, what's the point?

faa m. disse...

the point é que nem tudo o que tu fazes é necessário para outras pessoas, isso não invalida que não seja necessário ou pelo menos bom para ti.
praxes podem não ser necessárias para ninguém, não quer dizer que não seja útil e bom para muitas pessoas.
por mais que se diga que nas praxes é-se obrigado a isto e aquilo, não, nas praxes ninguém é obrigado a nada pois só lá está quem quer.

c. disse...

nem sei como te deste ao trabalho de escreveres isto. partilho a mesma opinião. mas estou cansada que opinem. mal desta era é que toda a gente fala demais. opina demais. demonstra demais.quer ser demais. julga demais. you get that?

faa m. disse...

julga demais e confunde as cenas.. o que é praxe e o que é mais do que praxe. enfim :s